¨A Saudade das Minhas Veias, da Avó que Me Criou e da Mãe que Partiu Há Quase Três Anos"
Hoje, a saudade aperta ainda mais, e as memórias da infância trazem uma dor doce, mas profunda. Sinto falta do cheiro dos pães caseiros, do bolo de fubá com queijo saindo do forno... momentos que sei que minhas filhas jamais entenderão por completo, porque são coisas de avós, de uma conexão única e insubstituível. A única avó que minhas filhas têm hoje não está presente, e com a perda da mãe, a falta se tornou ainda mais dura.
Minha mãe era aquela avó que, mesmo com as limitações do AVC e todas as dificuldades, fazia questão de participar. Sempre encontrei uma maneira de fazer os gostos das minhas meninas, escondendo um docinho antes do almoço ou dobrando uma notinha de dinheiro para que elas pudessem comprar uma besteirinha. Ela tinha aquele jeito travesso e carinhoso, que só as avós sabem ter. Saudades das minhas "veias", daquelas mulheres que moldaram meu mundo.
Neste Dia de Finados, tudo parece mais cinzento, e o coração fica apertado ao lembrar que já são quase três anos sem minha mãe. A ausência dela pesa, e eu sinto falta das nossas risadas, das brincadeiras e das sopas de feijão que só ela sabia fazer, enchendo a casa de um sabor único. Nossa conexão era tão grande que, mesmo à distância, sabíamos quando a outra estava feliz ou triste.
Hoje, o vazio é ainda maior, mas as lembranças são o que me mantém firme. São recordações de amor, de cuidado, de uma infância cheia de aromas e gestos que fizeram de mim quem sou. E mesmo que minhas filhas nunca viveram exatamente essas experiências, carrego comigo o legado daquelas mulheres incríveis que me ensinaram o verdadeiro sentido de amor e presença.
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